COMENTE NO BLOG

De suas opniões, críticas e elogios nos comentarios de cada capítulo para que a historia e o escritor evoluam cada vez mais xD

Capítulo 5 - E se ergue um sobrevivente!

Capitulo 5 – E se ergue um sobrevivente!

Tive outra lembrança essa noite. Acho que escrever essa historia está fazendo minha mente voltar cada vez mais, não que seja algo extremamente ruim, às vezes é bom confrontar o fantasma do passado. Eu estava de bicicleta, correndo com toda a velocidade que minhas cansadas pernas permitiam, sentindo um vento pesado e uma constante jorrada de poeira no ar que batia contra meu rosto, que forçava a vista para conseguir absorver tudo que acontecia em volta. De repente, um carro em média velocidade acertou-me de lado, afundando minha bicicleta contra o pára-choque enquanto eu deslizava por cima do capô até cair no asfalto pesado.Minha cabeça rodava, e eu via luzes fortes entrando em meus olhos, enquanto meus ouvidos soltavam um zumbido constante. Quando dei por mim, estava deitado dentro de uma ambulância. Ela se movimentava para um lado e para outro, como se milhares de pessoas sacudissem ela em um movimento de rebeldia. Os objetos presos em volta se soltavam, fazendo um som seguido de metais e plásticos batendo no chão do veículo. Ao meu lado havia um médico assustado gritando no celular freneticamente. Depois disso, desmaiei.

...

Estávamos sentados, cada um em um dos bancos da igreja, virados frontalmente para o outro. Eu apoiava meus cotovelos sobre meus joelhos, ficando com as costas curvadas enquanto a cabeça se mantinha reta, encarando-o com um olhar petrificado. O rapaz sentava-se com as pernas cruzadas, tendo o pé que tremia sobre o joelho e os braços esticados ao longo do encosto do banco, com cabeça virada para o lado, contemplando o altar.

- E então? – ele perguntou

Ao falar, me senti saindo de um profundo transe, ficando atento a cada palavra dita pelo homem. Ele virou os olhos para mim por uns segundos, com a sobrancelha levantada, até soltar um estalo de língua, levando a mão ao bolso e tirando uma pequena garrafinha quadrada. Ele desrosqueou a tampa em uma longa girada, e virou um gole pela sua garganta. Depois de beber, soltou um suspiro de alivio, como se tirasse um enorme peso das costas.

- Quer? – ele disse, erguendo a garrafa para minha direção.

Eu estava tão pasmo que nem ao menos respondi tendo minha mente fixa naquele ser humano. Ao ver que eu não tinha qualquer reação, ele abaixou a cabeça em um pequeno riso, e guardou a garrafa.

- Olha, eu sei que tudo isso deve ser horrível pra qualquer pessoa, e acredito saber o que você deve estar passando agora. Eu também não vejo uma alma viva há semanas, estive trancado sozinho por muito tempo, e juro que quando vi você precisei pensar bem para reconhecer um... De nós. Mas... – ele soltou um pequeno sorriso, talvez para tentar aparentar simpatia. – Acredito que devemos os ambos estarem no mesmo buraco, e por isso acho que devíamos, sei lá, no mínimo tentar sermos mais humanos possíveis. – Ele então ergueu a mão até mim. – Prazer, meu nome é...

Espere, acho que... Sim, acho melhor que seja de outra maneira. Sabem, eu sempre fui uma pessoa um tanto perceptível quando se tratava de atos sociais, digamos assim. Sempre fui um cara... “Estranho” para as outras pessoas. Acho que meu modo de ser deixava elas desconfortáveis diante de mim, e eu pude ver isso até naquela situação que o rapaz não estava completamente seguro quanto a mim. Mesmo eu tendo ajudado ele pôde perceber meu desequilíbrio, o fato de não agira iminente ao infectado provou isso. Durante a conversa ele tentou ser o mais simpático possível, para assim me encorajar a uma conversa para ele ter certeza que eu não fosse um completo maluco. Mas eu não era. Deprimido e instável talvez, mas maluco não. Eu havia recuperado um pedaço da sanidade quando esse homem entrou pelos portões de madeira, pois pude ver que existia alguém vivo alem de mim, e isso resultava na possibilidade do mundo ainda existir. Mesmo assim, o peso emocional dos últimos dias me derrubou, e a recuperação é demorada, e talvez causasse uma má impressão no meu companheiro. Bom, quanto a ele, seu nome... Acho que não vou colocá-lo. Ele foi um herói, alguém que merece ser pra sempre lembrado, assim como vários que cruzei o caminho, mas não acho que aqui é o lugar certo para homenageá-los. Essas anotações servem para transmitir a essência de uma era negra na vida na Terra, e é isso que quero manter, por isso eles não precisam ter seus nomes aqui, só quero o espírito deles na historia. Então, vamos ver um nome que seja adequado a ele...

Sim, já pensei. Carlos. Isso, um belo nome que pode sim fazer parte do que ele foi para mim naquela época.

- Prazer, meu nome é Carlos.

Ao estender sua mão senti-me estranho. Era um comprimento social humano, algo que não contemplava há tempos. Por reflexo, eu estendi vagarosamente a mão até eles, e cumprimentei-o com uma voz baixa e seca dizendo:

- Rick.

A única palavra que consegui soltar de dentro de uma garganta que parecia morta. O comprimento foi mais vazio que o esperado, e Carlos pôde perceber isso. Ele me olhava com a testa franzida, possivelmente tentando entender o estranho rapaz a sua frente. Depois do cumprimento, virei a cabeça ao lado para contemplar o altar da igreja. Lembro perfeitamente da minha própria imagem transformada em uma horrenda criatura, algo bizarro que estava me atormentando horrendamente. Não consigo explicar com é horrendo ver sua própria imagem morta bem a sua frente, e não consigo explicar a mim mesmo de onde ela veio. Mas agora ela tinha sumido, e eu esperava que era para sempre...

De repente Carlos se pos a falar, talvez para não voltar ao clica desagradável de antes.

- Então cara, pronto pra cair fora daqui?

Ao pronunciar isso, girei a cabeça lentamente de volta a ele, que pareceu achar estranho um movimento que lembrava uma criatura do filme Exorcista talvez.

- Como?

Eu não entendi de primeira o que ele tinha dito, eu achava que ele poderia se referir a sair da igreja, mas...

- Pronto pra cair fora da cidade?

Sim, eu tinha entendido. Sair da cidade. Meu Deus, uma idéia que para mim sempre foi algo inimaginável. Mesmo naquela hora eu lembrava de como tudo tinha se alastrado, iniciando-se em uma metrópole e infestando as pequenas cidades em volta, sendo que a minha foi uma das primeiras. Sempre acreditei que fora da cidade era possível que algum grupo militar tenha se fixado como diziam os boatos, mas depois do que eu vi não criei mais esperanças, sem falar que passar pela cidade é suicídio, contando o fato da minha ultima tentativa de conseguir um simples carro.

- Do que você ta falando? – eu disse, com uma voz casada e com uma sobrancelha levantada.

- Você não está pensando em ficar por aqui, está? – ele dizia com um pequeno riso, como se fosse algo engraçado de tão óbvio, mas para mim, óbvio era que sua idéia era ridiculamente impossível.

- Você quer que nós dois, armados com umas duas facas, um bastão e uma pistola com uma bala, saiamos da cidade infestada de infectados como se fossemos pra uma excursão?

Muitas vezes, em momentos de depressão as pessoas podem ficar com a mente mais clara, e provavelmente tombada para o lado pessimista das coisas.

- Eu já fiz isso só com um bastão e um fusca. – ele disse com um tom sério.

Ao falar, pude perceber que cheguei a ofendê-lo de tão covarde que estava sendo, mas não pude deixar de me espantar.

- Como assim “já fez isso”?

- Sair de uma cidade infectada! Já fiz isso uma vez e posso muito bem fazer de novo.

“Já fiz isso antes...”. Foi aí que descobri que Carlos não era da minha cidade, era de outra da região que foi pega pelo vírus. Não pude deixar de mostrar uma surpresa em minha face. Ele olhou e soltou um pequeno suspiro de desapontamento, abaixando e balançando a cabeça. Enquanto fazia isso suas mãos procuravam um pacote de maços de cigarro em seu bolso, do qual ele tirou um pela boca, pegando depois um isqueiro preso á cintura, acendendo-o.

No portão da igreja, pequenas pancadas podiam ser ouvidas. Alguns deles estavam do lado de fora, possivelmente atraídos pelo barulho do tiro. Para tranca-la empilhamos vários bancos de todas as posições possíveis para impedir a passagem de indivíduos indesejáveis. Os corpos que ficaram pelo lado de dentro foram jogados dentro do escritório onde um deles tinha saído. Quando entramos, pudemos ver o que havia ocorrido: Havia poucos corpos, uns quatro, lá dentro, e todos eles estavam com partes devoradas. Dentre eles duas mulheres de no mínimo 50 a 60 anos de idade com roupas do coral da igreja, mais um rapaz de uns 20 anos e um outro senhor idoso, todos em situação desagradável. Aparentemente eles ficaram trancados ali quando tudo desencadeou, mas um lugar pequeno e sem comida nem água não duraria tanto para enlouquecer os pobres coitados, sendo que um deles estava infectado. Algumas mesas de escritório bagunçadas com pilhas de papéis e sangue completavam nossa visão. O chão estava repleto de coisas religiosas que pareciam estar guardadas em algumas caixas de papelão. Eu contemplava o cenário horrorizado, e mais ainda por ajudar a carregar os corpo para dentro, sendo movido apenas pelo homem com um olhar mais tranqüilo que o meu.

Ele demonstrava um ar um tanto experiente e calmo enquanto fumava vagarosamente. Pude perceber que a diferença entre nós dois naquela situação era visível até para um cego.

- Fiquei trancado em um sobrado por alguns dias enquanto as coisas pioravam do lado de fora. – ele dizia, enquanto contemplava a arquitetura do local. – Não tenho qualquer noticia de minha família ou amigos. Fiquei sozinho por tempo demais para um ser humano, pior que qualquer náufrago preso em uma ilha deserta, porque eu estava cercado de demônios.

- E por isso você deve saber que está tudo acabado não é!

Eu fiquei irritado.. As palavras calmas de Carlos me acertaram, era como se ele esfregasse na minha cara que eu que era fraco, mas logicamente isso nem passou por sua cabeça, fazendo-o apenas ter uma surpresa.

- Você parece que não entende! Desde que entrou por essa porta fica mostrando esse perfil de veterano de guerra ou qualquer merda do tipo, enfrentando eles com sangue frio e fumando como se estivesse em um barzinho qualquer!

Sinto-me envergonhado de lembrar como eu agi naquele dia, porque hoje vejo que eu parecia uma criança mimada que bateu o dedo em uma quina de mesa. Era ridículo.

- Estamos fodidos, não vê?! Estamos cercados da cabeça aos pés por esses monstros! Se você soubesse o que eu já passei saberia como me sinto!

Carlos largou o cigarro e se jogou contra mim em um ato assustadoramente rápido, me agarrando pelo colarinho da camisa e quase me sufocando.

- Como é?! Eu que tenho que falar isso! Eu tenho que dizer “se você soubesse o que eu passei” seu desgraçado! Acha que vim até aqui nas pontas dos pés dando piruetas de alegria?! A cada passo que eu dava era um pesadelo maior para mim!

Eu estava branco. Os olhos dele transmitiam uma raiva espumante, mas uma fúria real, não a resultada por um mimo retirado. Ele estava com ódio de mim naquela hora, e eu sei o porquê.

Fui muito ingênuo em achar que apenas eu estava naquele pesadelo. Milhares e milhares de pessoas devem ter passado tantos horrores quanto eu nos últimos dias, e com certeza ainda sofriam. Por ser o único ser humano a vista, eu achava que só eu estava passando pela desgraça de viver como uma caça, mas eu nunca estive realmente sozinho. Não me admiraria pensar que enquanto eu estava tendo aquela crise, centenas de pessoas lutavam pelas suas vidas.

Eu nunca sofri sozinho como imaginava. Sozinho não era a palavra que descrevia minha situação. Isolado, cercado, condenado, mas não sozinho. Carlos esfregou isso na minha cara, em gritos que irritavam as criaturas do lado de fora, que batiam com mais força contra a porta.

- Não sei pelo que você passou, mas não foi diferente comigo ou com qualquer outro! Sabia que você era alguém deprimido, mas achar que é o único que merece salvação é uma ofensa a qualquer um que esteja lutando por sua vida agora!

Com fúria ele me jogou no chão frio da igreja, bufando feito um touro e pegando sua garrafa para uma outra dose.

Sentia-me um lixo completo. Naquela hora eu pude perceber no que eu tinha me tornado. Um lixo. Alguém que não liga para a vida que foi privilegiada de não ser transformada em um monstro ambulante.

- E ainda mais... – ele disse apontando para mim. – Se você esta vivo aqui e agora, significa que você lutou de uma maneira ou outra, porque ninguém fica vivo nesse mundo sem ter um bom motivo, então agradeça por conseguir estar aqui, respirando. Tenho certeza que muitos gostariam de estar onde você está... Não, onde esta não, e sim como está. Vivo! É isso que você tem que todos querem: A vida! Não a despreze como se não fosse nada, pois um dos maiores pecados das pessoas é desistirem de suas vidas!

Ele parou. Era como se todo o resto do mundo calasse seus ruídos por um tempo. Carlos me encarava, enquanto eu me mantinha no chão, arregalando os olhos de espanto para ele. Ele não é alguém comum... Deixou de ser isso há muito tempo. Um ar frio tomou conta da igreja e o único som era das batidas insistentes do lado de fora. Eu e Carlos ficamos parados, nos encarando. De um lado o resultado de uma forte experiência, uma pessoa que conseguiu passar pelo campo minado e saiu o mais ileso possível, e talvez mais forte do que entrou... E do outro eu. Senti que meus olhos pediam a queda de lágrimas, mas eu não queria isso, não queria mostrar mais fraqueza do que já tinha mostrado. Só que não adiantou nada. A água descia pelo meu rosto, enquanto eu encarava firmemente o chão. Lembrava de tudo que tinha me ocorrido ao longo dos dias. Não sabia o que pensar, o que fazer, nada... Minha mente não pensava em nada. Carlos deve ter se sentido mais desapontado ainda, e me olhou com certo desprezo, imagino.

- Bom, você é quem sabe.

Ele voltou-se ao banco onde seu bastão repousava depois de um combate brutal e o pegou com as mãos suadas. Ele se aproximou dos bancos amontoados frente ao portão com passos firmes e decisivos. Carlos não pretendia morrer ali, preso dentro de uma igreja com um pobre coitado. Respirando fundo, ameaçou retirar o primeiro obstáculo, quando...

...

Estava dentro de uma sala no hospital. O cheiro de remédios e sangue chegava a me apavorar quando acordei naquela cama. Não havia ninguém naquele pequeno espaço, mas o silencio frequentemente era quebrado. Podia escutar passos e vozes frenéticas pelos corredores, alem de alguns papeis caindo pelo chão passando por baixo da porta. As pessoas estavam desesperadas. Fiquei deitado por alguns minutos tentando relembrar o que havia acontecido. A cena do carro passando por baixo de meu corpo me fazia sentir calafrios, eu estava vivo por um triz. Então, uma batida contra a porta, forte e concentrada. Podia ouvir claramente várias pessoas gritando, e isso me apavorava.

A porta se abriu, e um homem com jaleco branco caiu contra o chão. O susto me fez prender a respiração enquanto contemplava aquele corpo que mais parecia de... Um morto. Ele se ergueu um pouco, soltando um gruído de gelar a espinha. Ao se levantar por completo, pude ver que havia uma abertura gigantesca em seu pescoço que derrubava litros de sangue contra o jaleco agora vermelho.

Não pude conter um grito de horror ao ver aquela criatura avançar contra mim. Achei que estava morto, que era meu fim, mas então algo o acertou nas costas. Um outro homem um pouco mais alto usando óculos e um jaleco tão manchado quanto daquela criatura apareceu de repente pela morta, acertando-o na cabeça com uma cadeira de ferro. Enquanto o corpo e o objeto caiam com força, pude perceber que se tratava de meu tio, que gritava para eu acompanha-lo.

Os acontecimentos depois daquilo eram vagos para mim, algo que eu, mesmo com esforço, não consigo relembrar.

Estávamos em casa, os dois tinham mordidas... Só isso me vem à mente. Minha tia tinha febre alta, e vomitava sem parar. Meu tio suava como louco, e andava em círculos bufando.

Em algum momento, quando eu estava na sentado na sala, tentando entender tudo, meu tio avançou até mim me entregando uma arma.

- Tome! Fique com isso!

Não tive qualquer meio de responder. Estava pasmo. O que ele queria que eu...

Minha tia caiu na cozinha. Ouvimos o barulho forte e panelas caindo ao chão. Fomos até lá apenas para contemplar a sua volta como um monstro. Ela avançou e mordeu meu tio no pescoço, e enquanto eu fui tentar ampara-los, acabei esquecendo de estar segurando a pistola, e quando minha mão chegou até a cabeça de minha tira, um disparo acidental ecoou a casa.

Ela caiu... Morta.

Meu tio se arrastando pelo chão se ergueu e apoiou os ombros em mim.

- Não há mais tempo, isso também vai acontecer comigo a qualquer inst...

Então, com uma fúria despertada, meu tio começou a avançar em mim, me empurrando pelo corredor, até que em meio de batidas de costas nas paredes, adentramos o banheiro.

Ele caiu sobre mim, que só tive tempo de empurrá-lo com as pernas, fazendo-o escorregar para dentro do box do chuveiro.

- Faça! Eu estou me tornando...

Sua voz foi substituída por um gruído incansável. Ele tentava se levantar, mas não conseguia.

- Fa... Faça... – ele dizia forçadamente, parecendo que sua garganta sangrava.

Seus olhos cobertos de lágrimas imploravam para que a dor acabasse, para que eu o libertasse daquela prisão que o aguardava. Eu não queria... Não queria ter feito...

Quando seus gritos já estavam em minha alma, apontei a arma. Eu estava caído no chão gelado do banheiro, e minha visão se embaçava. Agora minha mira estava por conta do som de dor de meu tio, que quando chegou ao seu ápice, foi substituído por um grito mais jovem... E um tiro.

Foi aí que tudo começou para mim. Minha alma estava manchada, e eu estava perdido... Mas fiquei cheio disso.

..

- Es... Espere.

A voz o parou. Ele se virou vagarosamente, quando eu pude finalmente levantar a cabeça.

- Eu... Eu.... – Minha voz era pesada e fraca, mas eu não deixava de empurrá-la ao máximo.

Carlos ficou contemplando aquele ser derrotado levantar lentamente.

Meu corpo estava pesado, mas não importava... Eu apoiei minha mão em meu joelho e forcei. Queria levantar, queria seguir em frente. Minha alma precisava se erguer, precisava lutar contra ela mesma. “Chega” eu disso, chega disso tudo. Não acabou. A minha vida não foi embora, minhas esperanças se revelavam. Escorreguei a mão por um instante. Um rosto sangrento apareceu em meus olhos. A pobre garota, transformada em um demônio presa dentro de uma sala de aula. Ela tinha sido pega, sido arrastada para o fim que muitos foram... Quanto a mim... Chega. Não ia cair de novo, não agora. Precisava enfrentar todos meus pesadelos.

- Tudo que passei... Não imaginei... – Palavras criadas na raiz de minha mente brotavam. – Não imaginei que ia me tornar algo assim... Eu não quero morrer assim, patético. Eu não... – o ar era pesado, e eu forcei a voz de uma maneira destrutiva.

- Eu não passei por toda essa merda para morrer aqui!

Carlos ficara calado. Seu rosto estava perplexo. Era como presenciar uma criança acelerada pelo tempo se transformando em um adulto, um homem decidido. As criaturas do outro lado do portão gritavam e esmurravam, enquanto do lado de dentro se erguia o único tipo de pessoa que pode viver em um mundo desses...

Um Sobrevivente!

4 comentários:

xBrunoAL disse...

Muitoo bom o final desse capitulo curti de mais :D (Y)

Anônimo disse...

Aaaadorei, escreve muitíssimo bem! Parabéns haha' vou ler o resto então faça o favor de escrever mais! (:

Riakamaru disse...

gogogogo quero mais muito legal

Anônimo disse...

Meu irmão en ... nunca soube desse seu outro lado ... nem li kkkkkkkkkkkk

Postar um comentário