COMENTE NO BLOG

De suas opniões, críticas e elogios nos comentarios de cada capítulo para que a historia e o escritor evoluam cada vez mais xD

Capitulo 1 - Inicio da tempestade

Escuridão. Essa palavra ganhou um novo significado. Ela agora nos persegue e nos cerca. Não há muitos lugares para ir, não há muito que se fazer, a não se fechar e abrir os olhos, rezando para que tudo só fosse um dos piores pesadelos já sonhados.

Sentado sobre uma maquina de escrever antiga é onde começo a compartilhar com as palavras e a tinta minha jornada por esse mundo novo, um mundo escuro. Faz pouco e muito tempo (o tempo se tornou confuso desde o começo de tudo) que eu pude finalmente respirar sem preocupações. Minha mente ainda gira em torno de imagens, sons e cheiros que nunca irei esquecer, mas sei que são lembranças e elas não podem me ferir...

Muito prazer caro leitor, aqui a quem vos escreve não é um poeta ou escritos, e sim um simples homem que tem uma historia para contar. Se quiserem saber quem eu sou, podem me chamar de... Rick. Sim, um simples nome. Vou gostar de usá-lo.

As coisas que escreverei aqui são partes de mim, e quero repassar para que gerações e gerações possam saber o que tivemos que passar. Refiro-me a guerras? Fome? Revoltas? Doenças? Um pouco de tudo se for pensar, mas principalmente medo.

Sim... Medo. Quero passar a essência do nosso medo para frente, e espero que eu consiga. Cavando minha mente posso rever onde tudo teoricamente iniciou, pelo menos para mim.

Era uma manhã negra. O céu quieto e nu refletia a sensação de que a Terra tinha parado. Meu quarto carregava uma atmosfera pesada, como se o mesmo ar roda-se mais de uma vez por ali. Lá estava eu, sentado em uma cama de solteiro encostada-se à parede, com os dois cotovelos apoiados nos joelhos e minha cabeça caída mirando o chão. Não sei quanto tempo fiquei ali, se foram minutos ou anos, só lembro de meus olhos encararem a beleza reluzente de uma pistola em minha mão. Era um RT 410, com um calibre de 36 GA, a arma preferida de meu...

Com os dedos eu abria e fechava o tambor da arma varias e varias vezes, como alguém que abre e fecha um isqueiro. Certas vezes fitava as balas dentro dele com um riso que espero nunca ter novamente em minha face. Duas balas em um tambor que cabiam cinco. Três faltavam, e eu infelizmente sabia onde estavam.

Aquele momento é um dos melhores para mostrar o que realmente quero repassar com essas notas. Balançando a mão com o dedo equilibrando a arma pelo gatilho.

“Seria tão fácil, tão fácil se eu...”

O pensamento. Sim, um impulsivo pensamento veio a minha mente enquanto olhava a arma balançar, quase hipnotizadora.

“Suicídio...” Um tiro na cabeça e pronto! Tudo esquecido, a dor sumiria, e talvez eu voltasse o mundo de antes...

Acho que me faltou coragem. Com um pouco mais de coragem, eu não estaria aqui agora. Por isso eu digo que o medo, muitas e muitas vezes, é nosso melhor amigo.

Levantei, seja lá por qual motivo, e cambaleando sai para o corredor da casa, entrando no banheiro. Avancei poucos passos e pousei a arma em cima de um armarinho enquanto abria a torneira. A água caia com força na pia gotejando para fora. Enfiei minhas mãos por baixo dela e comecei a lavar meu rosto com força. Era refrescante, ou pelo menos imagino que tenha sido. Sem fechar a torneira subi o rosto e encarei meu reflexo no espelho. Eu estava branco, os olhos negros como nunca. Parecia que estava encarando minha própria alma. O som da água chocando-se com força na pia era forte.

Meu rosto, pobre ingênua rosto, se virou para direita. Por que? Não sei. Encarando o boxe com um chuveiro que pingava constantemente vi o corpo dele sentado com a cabeça tombada para o lado, mostrando claramente seus olhos brancos e sem vida e uma testa com um buraco enorme. Não conseguia tirar os olhos dali. Esse um dia foi meu tio... E ver ele daquele jeito...

Virei-me rapidamente abrindo a tampa do vaso sanitário e vomitando. Minha mão se segurava tão firme no vaso que as veias pulavam para fora. Lágrimas dolorosas queimavam meus olhos. Depois disso um clarão. Sem saber o porquê, não consigo me recordar do que fiz antes de estar sentado no velho sofá da sala, fitando o vazio. É como se tivesse um pedaço faltando naquela cena, difícil de explicar.

Retomando daquele momento, comecei a finalmente pensar. “Preciso sair daqui...” Para onde? O que isso importa?! Precisava sair daquela casa, daquele lugar que me cercava e diminuía a cada segundo. Minha sanidade estava na beirada de um abismo, e para evitar isso eu precisava primeiro sair. Forcei um pensamento, alguma coisa, qualquer coisa. Precisava sair...

Com as pernas cambaleando andei pela casa. Lembro de ter primeiro pego uma mochila no quarto e depois ido para a cozinha. Minhas mãos dançavam dentro do armário derrubando tudo que não fosse comida. Havia vários enlatados, e por isso abri bruscamente uma gaveta atrás de um abridor. Meu completo desinteresse com tudo me fez arrancar a gaveta derrubando-a no chão. Agachei-me e peguei algumas facas e um abridor de latas. Prendi as facas em minha cintura e joguei todo o resto dentro da mochila. Abri a geladeira e peguei todas as garrafas de água que tinha que não eram muitas. Enquanto enfiava tudo na mochila, vacilei meu olhar para baixo antes de fecha-los bruscamente e sair rapidamente dali. A esposa de meu tio... Caída na cozinha, o mesmo destino de seu marido. Precisava sair daquela casa. Corri para a porta da frente, antes me certificando que a pistola estava presa em minha calça. Uma lembrança do clube de tiro, um lugar que eu ia com meu tio uma vez por semana. Nunca imaginei que um dia substituiria os alvos de plástico por...

Saí.

1 comentários:

Anônimo disse...

Bom,pelos meus calculos,eu achei legal e interessante,mais vc bem que podia melhorar um pouco mais, è`brincadeira vc é muito bom kkkkk.
Parabéns

Postar um comentário